Confira agora
Sabe aquele incômodo de sentir que tem um grão de areia perdido no olho, mesmo quando você acabou de lavá-lo? Ou aquela vermelhidão que insiste em aparecer depois de um dia de sol ou de uma viagem de carro com a janela aberta? Muita gente ignora esses sinais, achando que é apenas cansaço, mas o nosso corpo tem maneiras bem peculiares — e às vezes exageradas — de tentar nos proteger. O pterígio é exatamente isso: uma resposta de defesa que acabou perdendo o freio. No consultório, é muito comum as pessoas chegarem preocupadas com uma “carninha” que começou a crescer no canto do olho, geralmente perto do nariz. A primeira pergunta que faço quase sempre revela o culpado: “Você costuma se expor muito ao sol, vento ou poeira sem proteção?”.
A resposta, na grande maioria das vezes, é um sonoro sim. O “calo” dos olhos Para facilitar o entendimento, eu gosto de comparar o pterígio a um calo. Se você começa a praticar crossfit ou a trabalhar na roça, sua mão vai criar uma camada de pele mais grossa para não ferir o tecido sensível por baixo. O olho tenta fazer a mesma coisa. Quando ele é agredido constantemente pelo vento seco, pela poluição ou pela radiação ultravioleta, a conjuntiva (aquela membrana transparente que reveste o branco do olho) entende que precisa se fortalecer. O problema é que, diferente da mão, o olho precisa de transparência para funcionar. O pterígio é uma proliferação de tecido fibrovascular.
Ele nasce ali na lateral e, se não for controlado, começa a avançar em direção à córnea. É como se o olho estivesse tentando criar um escudo biológico contra as intempéries, mas esse escudo acaba atrapalhando a visão. O papel do vento e do ressecamento O vento é um dos maiores gatilhos porque ele acelera a evaporação da lágrima. Imagine a superfície do seu olho como um para-brisa que precisa estar sempre molhado.
O vento constante remove essa umidade, deixando a área exposta e irritada. Em resposta, o corpo envia mais sangue para a região (por isso o olho fica vermelho) e estimula o crescimento de tecido para “tapar” aquela secura. Quem vive em regiões litorâneas ou trabalha ao ar livre sente isso na pele — ou melhor, nos olhos. O termo “olho de surfista” não existe por acaso; a combinação de reflexo solar na água, vento constante e salitre é o cenário perfeito para o desenvolvimento dessa condição.